É Melhor Investir em Bancos ou Corretoras? | Focalise
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É melhor investir em bancos ou corretoras?

Bancos ou Corretoras
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Escrito por Focalise

Por uma questão de comodidade, boa parte das pessoas concentra sua vida financeira no banco onde possui conta corrente. Assim, aplica o dinheiro de acordo com a indicação do gerente. Este, por sua vez, também cuida do seguro do carro, do financiamento imobiliário, do cartão de crédito e por aí vai. Mas fica a dúvida: é melhor investir em bancos ou corretoras?

Pensando nisso, no post de hoje vamos analisar o assunto por nove aspectos diferentes.

1. Leque de ofertas

Um banco vende os seus próprios produtos: fundos de investimento, CDB, letras de crédito. A corretora, por sua vez, funciona como um grande “shopping” de produtos financeiros.

Antigamente, quando se falava em corretora, pensava-se apenas nos investimentos negociados em bolsas de valores, como ações, opções e fundos imobiliários.

Mas a situação hoje é diferente. As corretoras distribuem investimentos dos mais diversos tipos — inclusive de terceiros, como os próprios grandes bancos e as casas especializadas.

Assim, as corretoras oferecem uma gama muito mais extensa de alternativas para investir, fazendo com que você possa compor uma carteira de investimentos que atenda melhor às suas necessidades, podendo inclusive (e por que não?) atingir ganhos maiores.

Dessa forma, é como se o banco fosse uma loja de uma marca só e a corretora fosse uma multimarcas, vendendo inclusive a marca da loja especializada. Por isso, na corretora você tem acesso a diversos produtos e pode fazer a comparação entre eles, sempre optando pelo mais rentável.

2. Especialização

Vamos voltar lá para o começo do post, quando falávamos do gerente da sua conta e de tudo que fica sob a responsabilidade dele. Aqui temos mais um ponto para analisar.

O gerente cuida de centenas de contas e dezenas de produtos financeiros. Será que ele consegue, no meio de tantos trabalhos, prestar uma assessoria de investimentos realmente adequada às necessidades específicas do cliente?

A resposta, como você já deve saber, é não. O gerente normalmente tem uma carteira de opções e ele se restringe a oferecê-la a todos os clientes. Como o banco não tem tantas opções de investimento, o perfil do correntista não é levado tão em consideração na hora de ofertar produtos.

Em uma corretora, por outro lado, o assessor só cuida de investimentos. Ele trabalha, diariamente, entendendo e comparando a rentabilidade e o risco de vários produtos.

Isso propicia uma especialização muito maior no assunto, o que faz com que ele conheça em profundidade as características de cada investimento. Além disso, o assessor pode passar mais tempo com você, entendendo, assim, o seu perfil de investidor, seus objetivos e o modelo de carteira mais adequado ao seu contexto.

3. Incentivos

Esta é clássica. Você liga para o seu gerente para fazer uma coisa qualquer: renovar seu seguro ou tirar uma dúvida. Ele atende, super solícito, e no fim diz algo assim: “não quer aproveitar para fazer um título de capitalização?”. Se não for título de capitalização, pode substituir por “plano deprevidência privada”, “seguro para o seu cartão de crédito” ou algo do gênero.

Se você negar e tiver alguma intimidade com o seu gerente, é provável que ouça algo do tipo: “ah, me ajuda aí, que eu preciso bater a meta”. Pois é, gerente de banco tem meta mensal por produto. Então qual é o incentivo do gerente? Fazer o que é melhor para o cliente ou fazer o que é melhor para o banco?

Ah, só uma dica nessa historinha: se o seu gerente ligar com uma oferta dessas, olhe qual é o dia do mês. Há uma boa chance de estar perto do dia 30. Se estiver, você saberá que ele está desesperadamente tentando bater a meta de captação naquele produto.

Agora, antes de falar das corretoras, é preciso deixar as coisas bem claras: quem está vendendo um produto ou serviço, vive exatamente da venda. É verdade para tudo: banco, corretora, loja de roupas, concessionária, operadora de telefonia e até para o moço do carrinho de pamonha.

Isso não é necessariamente ruim, nem significa que o cliente será lesado. A questão é outra: saber se os incentivos para o vendedor estão alinhados aos interesses dos clientes.

Como falamos, no banco o que costuma acontecer é o gerente ser remunerado por produto vendido, e por bater metas. Mas no mundo das corretoras o que acontece é um pouco diferente: o assessor ganha, sim, um valor por cada produto vendido — e normalmente esse valor é maior que o gerente do seu banco.

Mas ele tem um incentivo a mais: quanto mais seu assessorado tem sucesso e aumenta sua rentabilidade, mais ele ganha. Afinal de contas, o produto de uma corretora é a rentabilidade de seus investimentos, não é mesmo?

Assim, o assessor de investimentos precisa que seu cliente — no caso, você — veja o próprio patrimônio crescer. Isso porque quanto mais dinheiro o assessorado tem, mais investimentos acontecerão e mais produtos serão adquiridos, ou seja, mais dinheiro o assessor ganhará.

De qualquer forma, fique sempre atento, faça perguntas e busque entender em que você está investindo. Afinal, o dinheiro é seu e costuma não ser muito fácil ganhá-lo.

4. Segurança

Além da comodidade, um dos principais motivos divulgados para investir em bancos é a segurança. Afinal, um grande banco dificilmente vai quebrar. Ou seja, o dinheiro que você aplicou nos investimentos da instituição estaria mais seguro do que em uma corretora independente, certo? Não, na maioria das vezes não é assim que funciona.

Vamos relembrar um conceito que apresentamos no primeiro item do post: a corretora distribui investimentos de outras instituições financeiras. Quando você aplica seu dinheiro em determinado investimento, o risco que está assumindo é o da instituição onde está sendo aplicado, e não da corretora que lhe oportunizou aquele investimento.

Para ficar mais claro, vamos imaginar que você tenha comprado um carro novo numa concessionária que vende várias marcas. Um ano se passou e o câmbio deu problema. Para quem vai reclamar? Para o fabricante do carro, não para a concessionária.

Além disso, diversos investimentos, como CDB e letras de crédito (LH, LCI e LCA) contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Ele garante para esses produtos uma quantia de até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira como uma forma de segurança.

Sendo assim, no banco só há produtos do próprio banco e lá o seu limite é R$ 250mil. Enquanto na corretora, se você tem produtos de, por exemplo, 20 instituições bancárias diferentes, você pode ter os R$ 250mil em cada uma delas, ficando, dessa maneira, totalmente protegido.

5. Custos e rendimento

Por fim, chegamos a mais uma consequência das características de bancos e corretoras. O banco tem um número gigante de clientes, o que significa que não precisa se esforçar muito para também ficar com os investimentos deles.

Se não tem que fazer esforço, também não precisa oferecer os investimentos mais competitivos, com as menores taxas de administração e os maiores retornos.

Nas corretoras, como já dissemos, há uma gama muito diversa de alternativas para investir, sendo possível inclusive comparar as taxas cobradas por diferentes produtos de investimento, seu histórico de rentabilidade e o rendimento esperado. Isso não quer dizer que você vai chegar à corretora e seu assessor vai prometer aquele sonhado 1% ao mês de rentabilidade. Este tipo de garantia não existe para nada no mundo.

6. Produtos inadequados

Lembra que falamos que o seu gerente liga constantemente próximo ao final do mês e oferece vários produtos? Note que muitos deles não são investimentos de verdade, mesmo que estejam travestidos como se o fossem.

Por isso, é necessário que você tome cuidado e sempre foque em três fatores: rentabilidade, taxa de administração e liquidez. Se não encontrar algum desses itens na proposta, talvez o gerente não esteja oferecendo um investimento de verdade.

Na corretora, a situação muda um pouco. Ao olhar a lista de produtos, você terá acesso apenas a investimentos. Dentro do seu painel será impossível encontrar qualquer coisa que não seja usada para aplicar dinheiro e recolher rendimentos.

Isso facilita um pouco a análise dos produtos, e evita que você caia em armadilhas criadas pela boa oratória ou pelo longo relacionamento que tem com algum gerente.

7. Comodidade

A comodidade, como já falamos algumas vez, é sim, de fato, uma das grandes vantagens de se investir em um banco. Mas até isso pode ser deixado de lado. Quer ver como funciona?

Atualmente existem dezenas de bancos que permitem todos os tipos de transação por meio de um ambiente virtual — o Internet Banking. Além disso, algumas instituições se especializaram tanto nessa área, que abriram mão de suas agências físicas.

Com isso, eles conseguem isentar seus clientes das taxas de administração e de TED.

Moral da história: nos dias de hoje, é possível fazer a transferência de recursos para as corretoras sem sair de casa e sem pagar por isso.

Quando somamos essa informação com o fato de as corretoras também atuarem no cenário digital, a comodidade deixa de ser um diferencial que levaria o investidor a aplicar no banco, não é mesmo?

8. Diversificação de opções

Sim, nós já falamos que as corretoras oferecem dezenas de produtos e que isso dá a você muitas opções para investir. Mas sabe qual a parte mais importante disso? A diversificação da carteira de investimentos!

Se você tem lido sobre aplicações há algum tempo, deve ter aprendido que quanto mais diversificada é uma carteira, mais segura e rentável ela é. Isso porque existe uma regra de investimento que diz que o risco que o investidor está exposto é menor do que o risco médio de seus investimentos.

A lógica dessa afirmação é a seguinte: quando você investe em vários produtos, acontece uma exposição maior ao mercado. Isso significa que mesmo que a rentabilidade de algum deles caia, ou gere prejuízo, na média você estará bem posicionado, já que é quase impossível que isso aconteça com todos os seus investimentos.

Além disso, essa exposição também garante maior rentabilidade, porque permite a aplicação em produtos mais arriscados e que podem sofrer mais com as oscilações do mercado.

Mas só é possível executar essa estratégia por meio de uma corretora, já que o banco não tem opções suficientes para uma boa diversificação de investimentos.

9. Perfil de investidor

Apesar das visíveis vantagens da corretora sobre as instituições bancárias, ainda assim a escolha sobre onde investir depende do perfil de cada investidor.

Pessoas que ainda estão começando a entender sobre o mercado de investimentos e tem receios quanto a confiabilidade de se aplicar em corretoras podem, sim, iniciar suas aplicações em um banco. Com o tempo, ao ver seu patrimônio aumentando, esses investidores provavelmente vão buscar melhores opções, ou seja, procurar uma corretora.

Por outro lado, quem já entendeu como uma corretora funciona — e tem condições de deixar algum dinheiro parado sem que isso faça falta — pode começar a investir em vários produtos, de acordo com seu perfil e o risco que está disposto a correr.

Entretanto, a coisa mais importante nisso tudo é: na hora de investir em bancos ou corretoras, o investidor deve ter atenção quanto a reputação da instituição, sempre pesquisando antes de aplicar seus recursos.

E como estamos falando de investimentos, que tal começar o ano já com o pé direito? Dê uma lida no nosso artigo sobre as 6 tendências de negócio para 2018 e já se prepare para investir!

Sobre o autor

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A Focalise surgiu da necessidade dos investidores em ter um ambiente para o debate, educação e apoio às decisões no mercado de capitais.

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