O que é o Mercado Futuro Bovespa e como ele funciona? | Focalise
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O que é o Mercado Futuro Bovespa e como ele funciona?

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Escrito por Focalise

Quando compra uma ação do Banco do Brasil, da Petrobrás ou de qualquer outra empresa de capital aberto, você está negociando o valor à vista. Já no caso do Mercado Futuro Bovespa, trata-se de um compromisso de compra ou venda de determinada ação, por um preço prefixado, em uma data futura.

Assim, quem opera no mercado futuro aposta na cotação que está por vir para salvaguardar oscilações dos ativos ou, simplesmente, para especular — ou seja, ter altos lucros em um curto espaço de tempo.

Em 2008, contudo, a BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) se uniu com a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), criando a BM&F Bovespa. Desde então, estão integradas as operações à vista e de contratos futuros.

Trata-se de um mercado bastante volátil, que traz tanto a oportunidade de grandes ganhos como o risco de perdas. Para se ter uma ideia, o que você ganharia em investimentos de Renda Fixa em um ano, você pode ganhar em um dia na BM&F. Quer entender isso melhor? Continue lendo:

Como funciona o Mercado Futuro Bovespa?

Suponha que você tem um celular para vender e já achou um comprador. O preço fixado por você é de R$800; ele te paga e você entrega o aparelho. Nesse caso, trata-se de uma venda à vista.

Agora, para ilustrarmos como funciona o mercado futuro, considere que um comprador entra na sua loja para adquirir 50 smartphones. Mas ele só quer tudo isso daqui a dois meses, e tem R$700 de verba para cada aparelho. Você fecha o negócio, mas pede uma garantia ao seu cliente, que oferece o carro, e você o aceita.

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Cerca de um mês depois dessa negociação, há uma crise na China. A fabricação de aparelhos é paralisada e o valor da unidade sobe para R$1.000.

Conforme o combinado, depois de dois meses, o seu cliente volta para exercer o direito de comprar os 50 smartphones a R$700 cada. Então, você explica para ele que o valor subiu para R$1.000, e que o total ficaria em R$50.000 na cotação presente.

Nesse caso, o comprador tem duas opções.

Ele pode executar o contrato, ou seja, obter os 50 celulares por R$700 cada, totalizando R$35.000. Ou pode propor a você que fique com os telefones, desde que ele receba R$15.000 pela diferença de preços — afinal, ele fez um contrato com você de compra futura, garantindo o preço negociado.

Da mesma forma, em uma hipótese de o preço ter caído para R$600 por unidade no momento de execução do contrato — resultando em um total de R$30.000 a valor presente — a recíproca é verdadeira: o comprador pode levar os aparelhos, pagando o total de R$35.000, ou pagar a diferença de R$5.000 para você e deixar os celulares na sua loja.

Se, porventura, o comprador não possuir os 5 mil em dinheiro, você executará o contrato e receberá por meio da garantia dada, pegando o valor da dívida e devolvendo a ele o restante, se for o caso.

Enfim, essa é uma analogia que ilustra bem o que é um contrato futuro, que consiste em trabalhar com o preço do ativo vindouro. Contudo, vale ressaltar que, geralmente, o objetivo das operações no mercado futuro é lucrar com a variação de preço do ativo negociado, e não receber ou vender algo.

Se você negociar um contrato de dólar no Mercado Futuro Bovespa, arriscará determinado valor de cotação e, ao chegar o momento do prazo do acordo, saberá se ganhou ou perdeu dinheiro. O ganho ou a perda estarão sempre de acordo com as oscilações do mercado.

Quais ativos são negociados na BM&F e quais são as categorias de contratos?

Os contratos são classificados conforme seu tamanho, ressaltando que nem todos os ativos têm as duas opções para serem negociadas.

Contrato cheio

Abrange a negociação de grandes quantidades do bem transacionado. Ex.: U$50.000.

Minicontrato

Permite o acesso do investidor comum ao mercado futuro, pois negocia frações do ativo. Ex.: U$10.000.

Ativos negociados:

  • ouro;
  • moeda estrangeira (o dólar é o mais comum);
  • índices (geralmente, o Índice Ibovespa);
  • commodities (milho, café, soja, etc.);
  • juros futuros;
  • dentre outros ativos financeiros.

Do que se trata a margem de garantia e como ela é ajustada?

Se no exemplo da compra dos celulares o cliente precisou dar uma garantia para o contrato, o mesmo acontece no Mercado Futuro Bovespa. O investidor não precisa ter o valor total da compra futura no momento da negociação, mas precisa depositar em sua conta um certo valor de segurança da operação. O nome disso é margem.

A responsável pela definição dessa margem é a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia). Para isso, o critério utilizado é o risco da operação, consequência da variação do valor do ativo.

Sendo assim, o cálculo da margem é ajustado diariamente, de acordo com o risco da operação. E a operação é feita diariamente, tanto na conta de margem do comprador como do vendedor.

Como é feita a liquidação?

Levando em conta que, conforme citado acima, a margem é ajustada diariamente, quando a data de vencimento está se aproximando o comprador e o vendedor terão os valores acrescidos ou tirados de suas respectivas contas de margem.

No mercado futuro, raramente o investidor opta por receber o ativo do contrato, pois isso geraria custos com a operação financeira no mercado à vista, situação que reduz o lucro.

Quais são os valores mínimos para operar com mercado futuro?

Os minicontratos e a margem de garantia possibilitam que investidores comuns tenham acesso ao mercado futuro por meio da alavancagem. Em outras palavras, deposita-se em conta apenas uma parte do valor total do contrato.

Contratos para o mercado futuro do Índice Bovespa contam com, aproximadamente, 10% de margem do seu valor total. Mas isso não se aplica para compra e venda no mesmo dia, que costumam ser menores do que mil reais.

Ainda vale ressaltar que a garantia pode ser dada não só em dinheiro, mas também por meio de outras aplicações financeiras, tais como CDBs, títulos do tesouro e ações.

E as vantagens e riscos do mercado futuro?

O mercado financeiro é altamente impactado por diversos fatores econômicos e políticos, entre outros acontecimentos no Brasil e no mundo. Portanto, há sempre o risco de variação dos preços dos ativos de uma hora para outra — e isso inclui o mercado futuro.

A grande vantagem de operar com esse tipo de contrato é a possibilidade de alavancagem de ganhos com recursos de terceiros. Também há a diversificação dos tipos de operação, não se ficando preso apenas às ações, além de o investidor ter a flexibilidade de poder apostar tanto na alta quanto na baixa do ativo negociado.

Uma das principais utilizações do Mercado de Futuros é a possibilidade de hedgear as posições compradas no mercado à vista. Também conhecidas como operações estruturadas. Mas isto é tema para um próximo artigo!

Enfim, gostou deste post sobre o Mercado Futuro Bovespa? Quer aprender mais? Assista a está palestra sobre Mercado Futuro do Portal Focalise.

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A Focalise surgiu da necessidade dos investidores em ter um ambiente para o debate, educação e apoio às decisões no mercado de capitais.

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