Alocação de Ativos: O que ninguém te contou sobre investimentos
Gestão de riscos

Alocação de ativos: o que ninguém te contou sobre investimentos

Alocação de Ativos
Focalise
Escrito por Focalise

Você já tem uma vida financeira estável, possui bens e dinheiro na conta corrente. Mas ainda não entende muito sobre investimentos e, menos ainda, a respeito de alocação de ativos?

Essa técnica ajuda a aumentar seus ganhos e representa menos riscos de perda, algo que todo investidor iniciante (especialmente aquele com perfil conservador) deseja.

Nesse artigo, vamos te mostrar o que é esse conceito e como aplicar o método na prática. Ainda apresentaremos algumas estratégias para você alocar seus ativos e demonstrar porque a diversificação de investimentos é importante.

Em resumo, vamos trazer tudo o que ninguém te contou sobre investimentos. E aí, está preparado para entender sobre esse assunto? Vamos começar com a parte teórica.

O que é alocação de ativos?

Pelo começo deste artigo, você já sabe que esse conceito é uma estratégia de investimento voltada para a redução de riscos e elevação de ganhos. Mas, como isso ocorre?

A ideia é que você selecione diferentes classes de ativos para ter o maior retorno. Algumas possibilidades que podem ser escolhidas são moedas estrangeiras, títulos, commodities, ações, imóveis, colecionáveis de alto valor, seguro de vida e metais preciosos.

Cada um desses tipos de investimento possui uma probabilidade de retorno e um risco inerente. Para isso, seu desempenho não deve ser perfeitamente correlacionado, o que ocorre quando os ativos elevam ou caem em condições iguais do mercado.

Quando você aposta na alocação, está avaliando a relação entre o ganho que pode obter e as ameaças que corre ao aplicar seu dinheiro. Isso significa que os investimentos devem ser variados para que alguns subam e outros desçam ao mesmo tempo, situação que reduz a volatilidade (medida de risco financeiro).

É exatamente dessa forma que essa prática vai ajudar você. Como o mercado financeiro é variável e imprevistos podem ocorrer o tempo todo, alocar os ativos permite que você obtenha ganhos mais altos, independentemente das flutuações.

Mas, isso não é tudo… 

Se pensarmos no conceito de investimento, chegamos à conclusão de que se trata da elevação de capital com o passar do tempo. Mas, esse processo, como já indicamos, sofre variações de preço e valor.

Alocar ativos nesse cenário é uma atitude que pode ser comparada à gestão de risco dos investimentos individuais, ou seja, cada classe serve como hedge da outra. Na prática, quando um lado perde, outros ganham, o que assegura o equilíbrio de toda a carteira e possibilita que o lucro esperado seja atingido.

É por isso que essa estratégia é considerada uma das melhores quando se pensa em investir a longo prazo. É muito diferente de você consultar o gerente do seu banco para fazer um investimento.

Apesar de esse hábito ser bastante comum, o banco costuma cobrar taxas de administração elevadas e o gerente possui metas para fechar, o que indica que a opção repassada por ele nem sempre é a mais benéfica. Ou seja, há um conflito de interesses.

Para evitar essa situação, você deve conhecer algumas opções de investimentos e compreender um pouco do cenário para poder investir com mais segurança. Entender como a prática de alocar investimentos funciona é uma boa forma de se precaver e obter todas as vantagens que essa estratégia pode oferecer.

Mas, quais benefícios podem ser citados na prática de alocação de investimentos? Confira alguns deles:

Maior diversificação

O risco da carteira é muito menor quando você aposta em ativos de diferentes tipos.

Baixo custo

Nessa estratégia, seu foco é o longo prazo e poucas operações são realizadas. O resultado é a redução significativa dos custos da carteira de investimentos.

Maior disciplina

Os aportes que serão realizados podem ter sua periodicidade definida por você de acordo com sua necessidade de rebalancear a carteira. Vale a pena destacar que o período pode ser todos os meses, a cada três meses ou ainda uma vez ao ano. Quem estipula esse prazo é você.

Maior incentivo à venda na alta e compra na baixa

A técnica de alocar ativos tem base na teoria da regressão a média, que estimula a venda daqueles investimentos que tiveram aumento e a compra dos que sofreram queda. O objetivo é que você ganhe duas vezes quando eles voltarem para sua média de retorno, novamente vendendo na alta e comprando na baixa.

Mais tranquilidade

O mercado financeiro pode gerar um verdadeiro estresse entre os investidores. Mas, quando você aposta na alocação de investimentos, fica mais tranquilo, porque sabe que a queda que ocorreu em um dia não vai afetá-lo tão drasticamente já que você investe em diferentes ativos. Ou seja, o resultado negativo de um lado é compensado por outro.

Menos riscos

A principal vantagem da prática de alocar ativos é essa: a diminuição ocorre pela diversificação dos investimentos e pelo fato de o investidor não observar somente o retorno, mas também os riscos inerentes à atividade. Segundo dados matemáticos, o processo se dá da seguinte forma:

  • 2 ativos = redução de 50%;
  • 4 ativos = redução de 75%;
  • 9 ativos = redução de 89%;
  • 16 ativos = redução de 94%.

A partir disso, a diminuição é mínima a cada acréscimo no total de ativos. No final o investidor fica com o risco não diversificável, que é aquele com a qual não se pode lidar. Por exemplo: o ataque às torres gêmeas do 11 de setembro fez todas as ações caírem.

Menos custos e estresse

O ato de alocação foca no longo prazo e na rotatividade baixa de ativos, o que se traduz na redução de custos, porque não é preciso arcar com tributação e outros encargos. Ou seja, a finalidade principal da estratégia é melhorar a relação entre risco e retorno e saber que atitude tomar em cada situação. Basicamente, as únicas modificações realizadas são as realocações em prazos predeterminados.

Planejamento de longo prazo

O hábito mais comum dos investidores é ter um foco de curto prazo e se preocupar com as micro tendências do mercado. Fazer um planejamento de longo prazo é um verdadeiro desafio, mas compensa. Essa é uma abordagem mais simples, que possibilita a realização de planos mais eficientes e eficazes. Ao mesmo tempo, o investidor consegue melhorar suas habilidades de paciência e disciplina.

Como fazer a alocação de investimentos na prática

Já entendemos que essa técnica é uma forma passiva de gestão de investimentos. Nesse caso, não vale a pena pular de um ativo para outro, mas seguir o plano estipulado.

Para colocar essa ideia em prática, é preciso seguir alguns passos que possibilitam alcançar excelentes resultados. A princípio, existem cinco etapas necessárias para criar e gerir a carteira de investimentos. São elas:

Definir o percentual investido

O primeiro passo é estabelecer qual percentual será investido para cada categoria de ativos. Por exemplo: você pode optar por aplicar 70% em renda fixa e 30% em variável. Esse percentual varia bastante conforme o seu perfil de investidor que pode ser:

  • arrojado: é aquele que arrisca mais e costuma compor sua carteira preferencialmente pela renda variável, que pode oferecer um retorno maior. Esse perfil é mais técnico e exige uma atenção maior ao mercado financeiro;
  • moderado: é aquele investidor mais equilibrado, que tem um perfil intermediário. Ele sabe ouvir e está aberto a mudanças e novidades, mas primeiro faz uma análise detalhada da situação. Não gosta de correr muitos riscos e, se necessário, revê sua estratégia;
  • conservador: é o investidor que quer ter um retorno maior que a poupança, mas não deseja correr riscos. Não aplica seu dinheiro em renda variável e opta por ganhos menores, mas certos. Geralmente, esse perfil é bastante disciplinado e não tem tendência a diversificar.

Estipular os ativos que serão incluídos

As classes de ativos têm diferentes opções que podem ser escolhidas por você. Pense e estipule quais deles devem ser incluídos. Por exemplo: na renda fixa você pode apostar nos fundos DI, de inflação e multimercado sem renda variável. Já na variável, o investimento pode ser focado em fundos Ibovespa Ativo e de dividendos.

Delimitar o percentual de cada ativo

Os ativos que você selecionou na etapa anterior devem ter um percentual definido para alocação. Por exemplo: você definiu que a renda fixa terá 70% do total investido. Desse montante, 30% será voltado ao fundo DI, 20% no multimercado sem renda variável e outros 20% no de inflação. No caso da renda variável, que tem destinação de 30%, a opção por ser de 20% em fundo de dividendos e 10% no Ibovespa Ativo.

Equilibrar a carteira com os aportes

A definição do período em que cada aporte deverá ser realizado é sua escolha, conforme o que deseja. Mas vale a pena ressaltar que essa estratégia, denominada rebalanceamento, é essencial para o equilíbrio da carteira de investimentos.

Fazer o monitoramento da carteira

A partir do momento em que você opta por investir, precisa saber que será necessário monitorar a carteira durante um período preestabelecido. Fazer isso é importante para não haver perdas ou imprevistos.

Além de compreender essas etapas, é importante saber que há diferentes modos de alocar os ativos e montar sua carteira. Os fatores que influenciam esse processo são a sua situação financeira, seu perfil como investidor, sua disponibilidade de capital, as opções de investimentos existentes, o cenário econômico, entre outros.

Independentemente disso, há três tipos de ativos que devem ser contemplados na carteira. Veja quais são eles:

Ativos seguros

São aqueles investimentos tradicionais e que, por isso, oferecem menos risco. Eles ajudam a estabilizar a carteira e garantir que os rendimentos não sofram grande variação com o passar dos meses.

Alguns exemplos são os títulos do Tesouro Direto, o Certificado de Depósito Bancário (CDB), a Letra de Crédito Imobiliário (CDI), a Letra de Crédito Agrícola (LCA) e os fundos de renda fixa.

Recomenda-se que o investidor conservador aplique, no mínimo, 60% do seu capital nos ativos seguros. Os moderados podem reduzir o percentual para a faixa de 30% a 40% e os arrojados podem ficar entre 25% e 30%.

Aplicações moderadas

Têm um risco mais alto, mas possuem melhor rentabilidade em contrapartida. Entre os exemplos, podemos citar os fundos multimercados, os títulos privados, os fundos imobiliários e as debêntures.

É indicado que o investidor de perfil conservador tenha 30% dessas aplicações. Já o de perfil moderado deve ter pelo menos 50% aplicado nesse tipo de ativo e os arrojados podem apostar aproximadamente 20%.

Aplicações arriscadas

São ativos mais voláteis, ou seja, que contêm mais riscos, como é o caso das ações e outros títulos de renda variável. O mercado interfere bastante no resultado dessas aplicações, o que pode resultar em grandes ganhos ou perdas em curtos períodos de tempo.

Os investidores conservadores devem investir até 10% nas aplicações arriscadas. Os moderados podem apostar em torno de 20% e os arrojados aplicar até 60% do montante que possuem.

Dentro desses tipos de ativos, também precisamos considerar as estratégias, como vamos entender a seguir. 

6 estratégias de alocação de ativos

Depois de conhecer os tipos de ativos e como aplicar a ideia da alocação na prática, chegou a hora de verificar algumas estratégias existentes. 

Vamos citar 6 modelos para você se inspirar e ver aquela que é mais adequada ao seu contexto. Assim, você já pode conversar com um consultor financeiro com mais tranquilidade e não precisa ficar à mercê do gerente do banco.

Confira as estratégias:

Alocação estratégica de ativos

É o formato mais simples para compor uma carteira de investimentos, sendo que é estática e tem uma expectativa de retorno no longo prazo.

Por exemplo: digamos que o investidor tem um histórico de rentabilidade de 20% ao ano para os ativos do mercado de ações e de 10% anual para os títulos de renda fixa.

Se ele montar sua carteira com 50% de cada um desses ativos, consegue chegar a uma rentabilidade média de 15% ao ano em longo prazo.

É importante destacar que, pelo fato de esse ser um modelo estático, possíveis desvalorizações de ações não fazem elas perderem a participação em curto prazo, porque não há uma realocação de ativos.

Alocação de ativos de ponderação constante

É uma complementação à estratégia apresentada anteriormente, mas, nesse caso a alocação é considerada similar ao buy and hold (sistema em que o investidor compra no mercado ações de empresas sólidas e que têm grandes expectativas de crescimento para mantê-las na carteira por um longo prazo).

Essa estratégia de ponderação constante exige um manejo ativo porque o investidor precisará rebalancear a carteira com periodicidade devido à valorização ou desvalorização dos investimentos. A finalidade é manter a composição proposta no início da formação do portfólio.

A execução da realocação não exige regras específicas no que é relativo a valores ou periodicidade, mas alguns especialistas recomendam que a variação não ultrapasse 5%.

Alocação tática de ativos

É uma abordagem mais flexível, porque as estratégias de curto prazo podem estar presentes em uma carteira que prioriza os investimentos a longo prazo. Essa é uma possibilidade viável quando você percebe que há boas oportunidades no mercado, que podem gerar ganhos maiores e incomuns.

Por suas características, esse formato é mais arriscado e requer que o investidor acerte nas operações de prazo mais curto. Assim, é necessário ter mais experiência e disciplina para não mudar o plano, apenas fazer alterações por um período rápido.

Alocação dinâmica de ativos

É o formato mais dinâmico, como o próprio nome indica. O investidor deve realocar seus ativos constantemente conforme muda a sua percepção a respeito do futuro do mercado. 

Por exemplo: se ele entender que a bolsa terá um futuro positivo, ele deve investir nesse tipo de aplicação. 

Para isso também é necessário compreender como o mercado funciona e ter um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto.

Alocação de ativos segurada

É esperado que o investidor estabeleça um limite de perdas máximo para a carteira para que isso sirva como um benchmark de seus investimentos. Quando essa margem é alcançada, deve-se fazer uma realocação rígida que contará especialmente com ativos livres de risco, como é o caso dos títulos do Tesouro Direto.

Esse modelo é altamente indicado para quem tem o perfil conservador, mas deseja obter ganhos mais altos que a renda fixa e, ao mesmo tempo, não quer comprometer o capital inicial. Essa é geralmente a situação dos aposentados, por exemplo.

Alocação integrada de ativos

É o modelo mais equilibrado, porque é considerado o retorno esperado e o risco dos ativos segundo a tolerância do investidor. É uma estratégia mais ampla e que consegue misturar os formatos anteriores se não houver contraposição entre eles.

Essas diferentes estratégias deixam evidente que a diversificação é obrigatória quando falamos de investimentos. É por isso que o conselho é:

Não se esqueça de diversificar seus investimentos

Desde o começo deste artigo falamos sobre a diversificação de investimentos. Afinal de contas, alocar ativos tem uma relação direta com isso, não é mesmo?

A questão toda é: essa prática é recomendada para qualquer investidor, sendo ele iniciante ou experiente. E por que isso é indicado? Simplesmente pelo fato de reduzir os riscos e permitir que a carteira seja ajustada à tolerância que você possui e às variações pelas quais o mercado passa.

Você precisa compreender que o processo de alocar os ativos é mais responsável pelo retorno do que a compra e a venda de títulos em si.

Por isso, qualquer que seja o seu perfil, existem três tipos de investimentos adequados a todas as carteiras. Eles possibilitam montar uma estratégia de alocação interessante, principalmente porque existem subcategorias dentro deles que ampliam a diversificação.

Mas quais são esses investimentos? Veja a seguir:

Renda fixa

As classes de ativos presentes nesse tipo de investimento são os fundos de renda fixa, os títulos públicos federais (também chamados de Tesouro Direto), o CDB e as debêntures.

Dentre as opções, a melhor forma de investimento na alocação são os títulos do Tesouro Direto, que oferecem uma diversificação maior por serem categorizados em pré-fixados e pós-fixados e também por se relacionarem a índices diferentes, por exemplo, a Selic (taxa básica de juros) e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Fundos imobiliários

Os investimentos que compõem essa classe oferecem o acesso ao mercado imobiliário para quem tem um capital mais baixo para aplicar. Ou seja, até mesmo um pequeno investidor consegue investir em grandes empreendimentos por meio da aquisição de cotas. É possível comprá-las de fundos diferentes, por exemplo, de shoppings, imóveis comerciais ou residenciais, indústrias, entre outros.

Ações

Elas podem ser categorizadas como individuais, fundos de índice (ETF), como BOVA11 e PIBB11 e PETR4 e VALE. Os ETF contemplam dezenas de ações cujas cotas são negociadas na Bolsa de Valores. Esse é o tipo ideal para alocar ativos, porque possibilita uma grande diversificação. Para você ter uma ideia, é possível aplicar em mais de 60 ações diferentes.

Considerando esses três tipos de investimentos, podemos definir que a renda fixa oferece baixo risco, os fundos imobiliários têm nível intermediário e as ações são mais arriscadas.

Novamente é importante ressaltar que a diversificação vai depender muito do seu perfil. Afinal de contas, olhar apenas para o retorno pode ser prejudicial, já que isso também implica em riscos mais altos.

Assim, é difícil dizer como você deve diversificar a sua carteira de investimentos. Não existe uma fórmula ideal ou mágica para chegar à melhor opção. Mas é evidente que um homem com 70 anos de idade e um patrimônio de milhares de reais vai investir de modo muito diferente de um recém-formado que tem contas para pagar.

Em resumo, podemos dizer que o processo de diversificar e alocar ativos é uma estratégia interessante e uma das mais adequadas quando falamos em investimento. Dessa forma, você consegue evitar a perda de dinheiro e assegurar que terá sempre um valor médio de retorno.

Se você pensa em investir, considere essa possibilidade e as dicas que demos no artigos. Com certeza, as chances de você ter sucesso serão muito maiores!

Agora que você já entende tudo sobre alocação de ativos, que tal ampliar seu conhecimento e se tornar um investidor mais qualificado? É só conhecer os cursos da Focalise clicando aqui. Aproveite, aumente seu patrimônio e garanta a segurança financeira da sua família!

Aproveite e assine a newsletter para ficar por dentro das novidades no blog!

Sobre o autor

Focalise

Focalise

A Focalise surgiu da necessidade dos investidores em ter um ambiente para o debate, educação e apoio às decisões no mercado de capitais.

Buscamos informar, orientar, educar e oferecer serviços que facilitem o entendimento e a identificação das oportunidades de investimentos.

Share This
Navegação
[d]
[d]
[d]
[d]