Investindo no exterior através de BDRs
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Investindo no exterior através de BDRs

Focalise
Escrito por Focalise

Saiba como funcionam os BDRs e quais são as empresas globais que eles trazem

Você sabia que existem veículos locais de investimento que funcionam como espelhos de ações de empresas americanas, incluindo as maiores empresas do mundo?

BDRs (Brazilian Depositary Receipts) também conhecidos como CDVM (Certificado de Depósito de Valores Mobiliários), são valores mobiliários emitidos no Brasil que representam outro valor mobiliário emitido por companhias abertas com sede no exterior. Na prática, os BDRs refletem a variação de preço das ações estrangeiras às quais estão atreladas, só que aqui no Brasil e em reais.

Os BDRs são negociados em bolsa, assim como outras ações comuns, como PETR4 ou ITUB4, por exemplo. No homebroker das Corretoras, o investidor pode procurar pelos BDRs utilizando seus respectivos códigos (chamados de tickers).

Atualmente, há 554 BDRs listados na bolsa brasileira; Facebook (FBOK34), Microsoft (MSFT34) e Tesla (TSLA34) são alguns exemplos.

No caso do Facebook, a ação original da empresa é negociada na Nasdaq, em dólares, sob o código FB. O BDR correspondente, que pode ser adquirido pelo investidor brasileiro no homebroker, é negociado sob o código FBOK34, em reais. Veja em um exemplo apenas para efeitos de ilustração, no gráfico abaixo, o desempenho dos papéis.

Em amarelo, o desempenho do BDR em R$. Em preto, o desempenho da ação original no país de origem, em moeda local (US$). E a linha pontilhada representa a variação do câmbio durante o mesmo período.

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Com os BDRs, o investidor tem exposição ao ativo (a ação lá fora) e ao câmbio (variação do dólar em relação ao real). Ou seja, suponha que no início do período você entrasse e investisse R$ 100 em BDRs do Facebook pelo código FBOK34. No final do período, seu investimento teria se valorizado 30% e valeria R$ 130.

Como é possivel o BDR FBOK34 se valorizar 30% e a ação original FB cair 7%? Devido ao câmbio. Entenda melhor com o exemplo a seguir, no qual não consideramos variação de preço do ativo, mas apenas uma variação na taxa de câmbio, onde nesse caso o dólar subiu:

Imagine que, quando você comprou 1 BDR FBOK34 por R$ 100, a taxa de câmbio fosse de R$4 (1 dólar valendo 4 reais), logo, seu investimento seria equivalente a comprar US$ 25 em ações originais do Facebook. Suponha que, um mês depois, as ações originais do Facebook não se alteraram de valor, continuando a valer os US$ 25, mas a taxa de câmbio passa a ser R$5 (1 dólar se valorizou, valendo agora 5 reais), então, seus US$ 25 investidos em Facebook não valem mais os R$ 100, mas sim R$ 125 devido à variação da taxa de câmbio.

É como se na data de entrada você transformasse R$ 100 em US$ 25 (câmbio a R$ 4) e comprasse US$ 25 em ações do Facebook. Um mês depois, você venderia as ações pelos mesmos US$ 25, dado que elas não se valorizaram, mas transformasse os US$ 25 em R$ 125, pelo efeito do câmbio agora a R$ 5.

Portanto, ao comprar BDRs, você está exposto à variação da moeda brasileira contra o dólar: se o real subir em relação ao dólar, você perde valor; se o real cair, você ganha. Mas os BDRs não devem ser utilizados para tentar lucrar com variações do câmbio (para isso existe a compra direta de moeda e outras formas), mas sim para que o brasileiro consiga investir em empresas globais, e ter uma carteira de investimentos mais diversificada.

Mas existem restrições.

Atualmente, as regras da CVM permitem negociação de BDRs apenas para investidores qualificados, ou seja, que possuem mais de R$ 1 milhão em ativos financeiros, tornando este produto inacessível para muitos investidores brasileiros.

Por isso a liquidez ainda é limitada. Para se ter uma ideia de movimentação financeira, o volume de transações de BDRs do Facebook (FBOK34) no primeiro trimestre de 2020 foi de R$ 85 milhões. O volume representa 0,007% da negociação de ações originais do Facebook (FB, na Nasdaq) no mesmo período, de US$ 232bi.

A CVM poderá flexibilizar as regras.

O órgão regulador abriu audiência pública (encerrada em 28/02/2020) no qual propõe flexibilizar as regras para que o investidor não qualificado também possa negociar esses ativos. Diversas entidades endossam esta proposta. O processo está em fase de análise.

Outra restrição, que já foi flexibilizada, é o lote mínimo de negociação, que era de 100 unidades e passou a ser de apenas 10.

Vantagens de se investir em BDRs.

O mercado de ações brasileiras, embora seja bem desenvolvido, é muito pequeno se comparado ao mercado americano. O valor de mercado das 330 empresas listadas na B3 era de US$ 0,8tri no fechamento de março, enquanto o S&P 500 valia US$ 21,5tri.

Portanto, ao flexibilizar as regras dos BDRs, a CVM permitirá ao investidor diversificar a sua carteira em empresas de alcance global e em setores que não existem no Brasil ou são extremamente limitados, como os de tecnologia (FAANG’s em destaque) e saúde. Lista das top 30 BDRs por valor de mercado:

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Investir em BDRs significa diversificar a carteira, ter exposição ao mercado global de ações sem sair do Brasil, e obter posicionamento diferenciado ao que seria possível apenas com ações brasileiras, tudo isso estando comprado em dólar que é a moeda padrão de troca e de reserva de valor no mundo.

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A Focalise surgiu da necessidade dos investidores em ter um ambiente para o debate, educação e apoio às decisões no mercado de capitais.

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