Tire aqui suas principais dúvidas sobre o mercado de opções
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Tire aqui suas principais dúvidas sobre o mercado de opções

Mercado de Opções
Focalise
Escrito por Focalise

Os investidores iniciantes, muitas vezes, pensam que não há diferença entre o mercado de opções e o de ações propriamente dito. A semelhança das palavras, por sinal, contribui para aumentar a confusão.

Contudo, na prática não é bem assim. Se você já se aprofundou um pouco mais no universo das aplicações financeiras, sabe que investir em ações é uma atividade distinta de operar com opções, não é mesmo?

É bem verdade que esses dois tipos de papéis têm uma ligação estreita, mas não podem ser confundidos, o que até ocorre com quem tem pouca experiência no mercado de capitais em geral.

Para que você não se perca na hora de realizar operações na bolsa de valores, apresentamos, a seguir, respostas para as principais dúvidas de quem quer conhecer o mercado de opções. Boa leitura!

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1. Afinal, o que é o mercado de opções?

Se considerada ao pé da letra, a palavra “opção” traz a ideia de escolha ou de possibilidade. Em certa medida, tais significados também podem estar presentes nesse segmento do mercado financeiro.

Na prática, o mercado de opções abrange direitos e obrigações de compra e de venda de ativos (geralmente, ações de empresas). Assim, pelo fato de estarem vinculadas a outros ativos, as opções são consideradas derivativos.

Como ocorre, via de regra, com os papéis de renda variável, há dois negociadores numa transação no mercado de opções. Porém, em vez de eles serem chamados simplesmente de comprador e vendedor, como nos demais casos, nesse segmento específico de derivativos, a nomenclatura passa a ser diferente: titular e lançador. Não se preocupe, pois, mais à frente, vamos detalhar o papel de cada um deles.

Por enquanto, é preciso explicar de maneira um pouco mais simples o conceito de opção. Para tanto, vamos fazer uma analogia com uma negociação não propriamente do mercado financeiro, mas sim do imobiliário.

Você já deve ter ouvido falar no “sinal” que se dá ao vendedor na aquisição de imóveis, geralmente de 10% sobre o valor da casa ou do apartamento, para assegurar a preferência da compra, não é mesmo?

Pois bem, esse sinal é semelhante a uma opção de compra no mercado financeiro. É claro que, nesse caso, em vez de imóveis, os negócios têm como alvo ações de empresas. Assim, o titular da opção adquire um direito de compra do ativo-objeto da transação por um valor previamente acordado entre as partes.

Para tornar a compreensão ainda mais facilitada, mas supor outro tipo de negociação, imagine que o preço do litro da gasolina esteja em R$ 4. Contudo, há a expectativa de subida nas próximas semanas. Então, você negocia com o dono do posto e adquire uma opção de compra do litro ao preço de R$ 4,20 daqui a exatos 30 dias.

Para isso ser possível, você precisou pagar um “sinal” ou “prêmio” (vamos explicar esse termo mais tarde) ao proprietário do estabelecimento, no valor de R$ 0,25. Para efeito de exemplo, você adquiriu uma opção de compra.

Se passados os 30 dias, o preço do litro da gasolina for para R$ 4,60, você poderá exercer o seu direito de compra por R$ 4,20. Com isso, você economizará R$ 0,15 por litro, afinal, teve que desembolsar R$ 0,25 para ser titular da opção.

Entretanto, caso o preço da gasolina caia para R$ 4,15 no período, não haverá sentido em exercer a opção de compra a R$ 4,20, afinal, tal valor é maior do que o preço de mercado. Note, porém, que os R$ 0,25 dados de sinal ficarão com o dono do posto.

Com esse exemplo, agora você já tem uma noção geral de como funciona uma opção de compra. É bem verdade que esse tipo de transação não é comum na aquisição de combustível, ainda assim, utilizamos tal negociação por ela estar mais próxima da realidade da maior parte das pessoas. Vale mencionar ainda que, mais adiante, também vamos tratar das opções de venda.

Por ora, é importante você saber que o mercado de opções chega a movimentar uma quantia bem superior ao mercado de ações na bolsa brasileira. Mesmo assim, deve-se ressaltar que negociar opções envolve riscos elevados, que precisam ser bem dimensionados pelos participantes do mercado, para que sejam evitados prejuízos consideráveis.

Agora que você já tem uma ideia básica do que é uma opção, vamos detalhar, na sequência, o modo como funciona o mercado desse tipo de derivativo. Continue a nos acompanhar!

1.1 Quais são as opções?

Na bolsa de valores, é possível negociar dois tipos de opções: a de compra, também conhecida como “call”, e a de venda, chamada de “put”.

Seja qual for o tipo, o titular é a pessoa que adquire um direito, o qual será exercido por meio da opção. Já o lançador é o indivíduo que assume uma obrigação também ligada ao exercício da opção.

Inicialmente, vamos tratar das calls. Nesse caso, o titular da opção de compra é o investidor que adquire o direito de pagar determinada quantia por uma ação. O lançador, por sua vez, é quem vende esse direito.

Vale lembrar que essas opções têm prazos de vencimento e que os detentores dos derivativos não são obrigados a executá-los. Na verdade, eles geralmente as utilizam quando as condições de mercado são favoráveis.

Do ponto de vista do lançador, a oferta da opção de compra pode ocorrer de modo “coberto” ou “a descoberto”. No primeiro caso, significa que o lançador tem o ativo-objeto da opção na própria carteira de investimentos. Já no segundo, ele não tem a posse das ações.

Você deve estar se perguntando: “como alguém pode ver algo que não tem”? Saiba, então, que as corretoras de valores pedem uma espécie de garantia para os investidores que fazem isso. Assim, quem oferta uma call a descoberto deve depositar determinada quantia na chamada “margem”, cujo valor é estipulado pela corretora, conforme os riscos envolvidos na operação e a cotação da ação-objeto da opção.

Cabe salientar que a margem pode sofrer alterações no decorrer do tempo, de modo a assegurar que o lançador tenha condições de honrar o compromisso assumido.

Você deve saber ainda que, na hora de adquirir a opção de compra, o titular oferece um prêmio ao lançador. Em termos práticos, tal prêmio equivale ao preço da opção no mercado de derivativos. Por exemplo, se um indivíduo compra uma call de uma ação por R$ 2,15, esse valor é destinado ao lançador.

Agora, vamos falar um pouco mais das opções de venda. Nesse caso, o titular da put adquire o direito de vender o ativo-objeto por determinado preço. Perceba, então, que essa possibilidade funciona como se fosse um seguro contra eventuais quedas na cotação da ação-alvo. A propósito, o titular precisa pagar um prêmio ao lançador para, então, ter o direito de vender o ativo por um preço anteriormente combinado.

Por outro lado, do ponto de vista do lançador, a put constitui a obrigação de comprar determinado ativo pelo preço acordado. Na lógica do exemplo anterior, é como se o lançador, aqui, fosse a seguradora.

Dessa forma, se o titular da put exercer o direito de opção, o lançador é obrigado a comprar as ações pela cotação previamente acordada. Caso isso não ocorra até o vencimento da opção, o lançador fica com o valor do prêmio.

Seja opção de compra ou de venda, é importante você saber que existem as do tipo americano, em que o exercício pode ser feito a qualquer dia até o vencimento, e as do tipo europeu, que só podem ser exercidas no fim do prazo.

1.2 De onde surgem as opções?

As opções são colocadas no mercado, inicialmente, pelos lançadores. Entretanto, isso só ocorre após autorização da bolsa de valores, no caso do Brasil, a atual B3. Antes que seja posta em negociação, uma opção deve respeitar determinados parâmetros, como intervalos de preço entre o valor desse derivativo e a cotação da ação-objeto.

É bem verdade que você não vai encontrar na bolsa opções para todas as ações lá negociadas. Na verdade, geralmente só são lançadas opções para os ativos com maior liquidez, quer dizer, os que têm maior número de transações, como ações da Petrobras e da Vale.

Da ótica do lançador de uma opção de modo coberto, ou seja, que tem os ativos na carteira de investimentos, tal oferta representa a possibilidade de ganhar um pouco mais do que a simples valorização das ações, afinal, ele receberá um prêmio caso alguém compre o direito de compra (call) ou de venda (put).

Já do ponto de vista de quem adquire a opção, esse derivativo pode funcionar como um mecanismo de proteção da carteira. Como você deve saber, investir em ações implica estar suscetível a altas e a baixas no mercado.

Na primeira situação, a opção de compra permite que o indivíduo adquira um ativo por um preço mais barato do que a cotação normal. Já na segunda, a opção de venda possibilita que o investidor reduza prejuízos ao se desfazer do ativo por um preço acima da cotação praticada na bolsa.

É importante salientar que, embora tenham relação com uma possível negociação em data posterior, as opções não se confundem com o mercado futuro. Afinal, na transação de uma opção, há o pagamento efetivo do prêmio ou “preço da opção”. Já na negociação de contratos futuros, existem ajustes diários, em que é calculada apenas a diferença entre o valor inicial de compra ou venda do derivativo e a cotação final.

Além disso, enquanto o vendedor e o comprador trocam, no mercado futuro, em tese, contrato e dinheiro, no mercado de opções, não há certeza de que o titular vai executar o direito adquirido. Logo, esse exercício é uma condição, mas não uma certeza.

2. Como funciona esse mercado?

Quando se aproximam da bolsa, grande parte das pessoas procuram investir em ações. Por isso, é comum ver gente mais preparada para atuar no mercado acionário do que no mercado de opções.

Pelo fato de ser um derivativo e, portanto, estar ligada a um ativo-objeto, a opção se torna um tanto complexa, principalmente para o investidor iniciante. À medida do possível, vamos tentar desmistificá-la, para que você possa ter mais conhecimento de causa na hora de tomar decisões.

Até aqui, você já tem uma noção do mecanismo básico de uma opção. Assim, trataremos em seguida de aspectos mais operacionais, que são indispensáveis para negociar esse tipo de derivativo na bolsa.

Por exemplo, você precisa saber como funcionam os códigos para negociação de opções. Nesse caso, eles têm as mesmas quatro letras da ação-objeto, mais uma letra para indicar o mês de vencimento, além do número do preço de exercício, também conhecido como “strike”.

Nas séries de opções de compra (call), as letras de A a L indicam, respectivamente, os vencimentos de janeiro a dezembro. Já nas séries de opções de venda (put), as letras vão de M a X, para representar todos os meses do ano.

Assim, a call PETRD21 é uma opção de compra de ações preferenciais da Petrobras ao preço de R$ 21, com vencimento em abril. A propósito, as opções em geral vencem na terceira segunda-feira de cada mês.

Na bolsa brasileira, via de regra, as call são do estilo americano, isto é, com possibilidade de exercício em qualquer dia, enquanto as put são do estilo europeu, ou seja, de execução apenas na data de vencimento.

Vale lembrar que o prêmio ou preço da opção varia até o prazo final. Por exemplo, uma call “trava” a compra de determinada ação a uma cotação fixa. Contudo, se essa ação subir no mercado, é natural que o prêmio da opção correspondente também aumente. Com isso, quem adquiriu a opção pode negociar esse direito na bolsa e, assim, lucrar com a valorização.

Nesse caso, quem adquirir tal direito de um terceiro, mesmo com o pagamento do prêmio, pode se beneficiar ao poder comprar a ação-objeto por um preço abaixo do praticado no mercado.

Por outro lado, se houver baixa na cotação do ativo principal, costuma-se dizer que a opção de compra “virou pó”. Por exemplo, se a opção assegurava a aquisição do ativo por R$ 21, mas no mercado ele custa R$ 20, não há motivo para usar a call, não é mesmo?

2.1 Quem pode operar?

O mercado de opções envolve um risco elevado, por isso, é recomendado para quem tem perfil de investidor agressivo. Um erro comum de muita gente é confundir o investimento em ações com a operação de opções.

Então, se você ouviu alguém dizer que comprou determinada “ação” por um preço bem abaixo do mercado, é melhor desconfiar, pois ela pode ter se enganado e adquirido uma opção. Tal confusão ocorre principalmente com quem é iniciante e, portanto, não conhece a fundo esse mercado derivativo.

Em geral, para poder negociar opções, o investidor deve passar antes por uma espécie de teste na corretora de valores (quase sempre online), em que identificará o próprio perfil de tolerância a risco. Tal medida faz parte da política de suitability das corretoras.

Por sinal, esse tipo de teste é uma exigência dos órgãos de fiscalização do mercado de capitais. Com isso, as corretoras só podem oferecer ao cliente produtos que estejam de acordo com o perfil dele.

Como no mercado de opções existe a possibilidade de a pessoa perder muito mais do que o próprio capital inicial, é indispensável que ela saiba o que está fazendo. Só para você ter uma ideia disso, para quem adquire uma call, o prejuízo é limitado ao valor do prêmio pago ao lançador, enquanto o lucro é ilimitado, à medida que a cotação do ativo-objeto suba.

Já para quem lança ou vende uma call, a situação é justamente contrária, isto é, o lucro fica com limites, enquanto o prejuízo é sem limites, principalmente se o lançamento foi a descoberto. Nesse último caso, se a ação disparar, quem vendeu a opção terá que comprar o ativo principal a preço de mercado, para vendê-lo ao titular pelo preço combinado na opção.

É bem verdade que, ao operar no mercado de opções, a pessoa pode fazer determinadas operações estruturadas, como as travas, em que é possível limitar perdas ao aplicar em ativos com desempenhos opostos de acordo com o mesmo estímulo. Ainda assim, esse tipo de operação requer um conhecimento bem mais aprofundado desse mercado de derivativos, geralmente oferecido por analistas financeiros.

3. Quais são as vantagens de operar?

O mercado de opções tem como benefício o fato de atender a realidades bem diferentes, desde alguém que quer buscar proteção para os ativos até o chamado especulador, o qual busca lucrar com as oscilações das cotações no curto prazo.

No primeiro caso, a compra da opção funciona como uma espécie de seguro. Já no segundo, a ideia é negociar o derivativo sem, necessariamente, exercer o direito de opção. Em linguagem bem simples, é como se a pessoa vendesse um ingresso para um show bastante disputado.

Além disso, uma grande vantagem para operar no mercado de opções é o preço reduzido dos derivativos. Enquanto investir em empresas listadas na bolsa requer a compra efetiva do ativo-objeto, geralmente por meio de lotes-padrão de 100 unidades, operar com opções não demanda a aquisição da ação correspondente.

Então, o preço de uma opção representa apenas uma fração da cotação do ativo-objeto. Desse modo, o lote do derivativo fica com um valor acessível, principalmente ao investidor com capital reduzido. É fato que tal condição é mais favorável quando se trata do titular de um call, já que o lançador assume uma dever perante a pessoa na outra ponta da negociação, o que pode significar a transação efetiva com o ativo principal.

4. Como investir no mercado de opções?

Quando se trata de renda variável em geral, como ações para investir, contratos futuros, fundo de ações, opções etc., os locais mais apropriados para negociação são as corretoras de títulos e valores mobiliários.

Nessas instituições, o investidor precisa abrir uma conta para ter acesso à plataforma de negociação denominada de home broker. Com ela, é possível negociar ativos pela Internet, praticamente de qualquer lugar do mundo.

Como já salientamos, antes de operar opções, é necessário passar por um teste para avaliação do perfil de tolerância a risco. Além disso, é provável que a corretora requeira um depósito mínimo para que a pessoa participe do mercado de opções, principalmente se ela atuar como lançador a descoberto.

Caso esteja apto a operar com opções, o investidor poderá consultá-las no próprio home broker da corretora. Para tanto, é imprescindível que ele saiba analisar os códigos, para identificar a ação à que o derivativo se refere bem como o preço de exercício e o mês de vencimento.

Mais um requisito para um desempenho satisfatório no mercado de opções é uma boa leitura do contexto econômico em geral e, especificamente, do investimento em ações. Afinal, a valorização ou a queda do preço da opção dependerão das perspectivas em relação ao ativo-objeto.

Logo, não há espaço para achismos sem fundamentos, uma vez que tal atitude pode resultar em prejuízos consideráveis. Pelo contrário, o investidor precisa estar munido de informações confiáveis para poder se posicionar de maneira estratégica e, assim, lucrar nesse mercado de derivativos.

Se essa foi a primeira vez que você teve contato com as opções, é possível que as tenha achado um tanto complexas, não é mesmo? Saiba, porém, que isso é normal para quem é iniciante no universo dos investimentos.

Com educação financeira e auxílio de profissionais já experientes no mercado, você supre sua carência e cria condições para uma performance de sucesso nesse tipo de aplicação.

Para resumir o que apresentamos aqui, saiba que as opções envolvem de um lado direitos (para o titular) e de outro deveres (para o lançador). No caso da call, o titular tem o direito de comprar o ativo por determinado preço, enquanto o lançador tem a obrigação de vendê-lo pelo valor combinado.

Já no caso da put, o titular tem o direito de vender a ação pela cotação acordada, enquanto o lançador tem o dever de comprá-la por esse preço.

Existem ainda uma série de estratégias que combinam diferentes séries entre calls e puts que traders com mais conhecimento, estrategistas e gestores patrimoniais e de fundos utilizam com frequência. Não existe mais espaço neste artigo para detalhar este tema. Mas a título de tema de casa você pode pesquisar sobre “Travas de Alta”, “Travas de Baixa”, “Butterfly”, “Condor”, “Fence”, entre outras estratégias.

Quem sabe já não nasce um novo artigo!

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A Focalise surgiu da necessidade dos investidores em ter um ambiente para o debate, educação e apoio às decisões no mercado de capitais.

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